Vinho e turismo são ingredientes para uma retoma construída a Norte

Viajantes devem conseguir ter acesso fácil à oferta que extravasa o Porto. Pontos de atração em torno do rio Douro têm de ser promovidos ao nível ibérico

INICIATIVA Modernizar procedimentos e promover o Douro, simultaneamente enquanto produto turístico e vinícola, é um dos caminhos a seguir pelos empresários da região, de forma a salvaguardar o futuro. Esta foi, pelo menos, uma das principais ideias deixada pelos especialistas que participaram na segunda conferência Retomar Portugal, levado a cabo por BPI, JN e TSF, com o apoio da Sage. Miguel Ribeiro, diretor-coordenador do BPI, Fontainhas Fernandes, reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Luís Pedro Martins, presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, e João Nicolau de Almeida, enólogo e criador da Quinta do Monte Xisto, foram os oradores que constituíram o painel. Em cima da mesa esteve a nova realidade vivida na região duriense e os seus efeitos, sobretudo nos setores vinícola – designada mente no vinho do Porto – e do turismo. Luís Pedro Martins salientou que o Douro deve passar a ser visto como um todo. “Um dos problemas da região é uma má distribuição dos turistas. Em 2019, 75% daqueles que visitaram o Norte não saíram da Área Metropolitana do Porto”. O presidente da Turismo do Porto e Norte defendeu ainda uma espécie de união ibérica com vista à promoção duriense: “Para o Douro é fundamental a relação com Espanha. Através disso, podemos anunciar que, juntando dois países, temos o rio com maior número de patrimónios mundiais da humanidade. E temos também a rota dos vinhos Douro/Duero”.

Atrações Conjugadas

Já Fontainhas Fernandes destacou a tradição vinícola da região, defendendo que ela acaba por funcionar como chamariz turístico: “Associamos o Douro a uma região vitivinícola de excelência. Cada vez se procura mais o turismo de experiências e o Douro é um exemplo disso pela questão do enoturismo, mas também devido a uma enorme riqueza de património cultural e paisagístico”. Por outro lado, João Nicolau de Almeida mostrou- -se satisfeito com a exploração do filão turístico, avisando, porém, que ele deve continuar afastado de uma procura exagerada: “Não podemos ter um turismo de massas, até porque as próprias quintas não têm capacidade para isso. Tem de ser algo coordenado. O Douro não tem perfil para hotéis como há no Algarve ou no Porto”. A fechar, Miguel Ribeiro fez questão de destacar, na sua intervenção, o desenvolvimento infraestrutural registado, nos últimos anos, no Douro: “A melhor estrada do Mundo para conduzir é a que liga a Régua ao Pinhão e oferece uma paisagem maravilhosa. Além disso, quem faz o circuito da Estrada Nacional 2 (EN2), tem a possibilidade de visitar as quintas, provar os seus vinhos e almoçar bem. Isso contribui para a coesão do território”, afirmou o gestor do BPI.