Vacinação é fator decisivo para impulsionar toda a fileira do turismo

Melhorias já foram visíveis neste verão devido à maior segurança que os turistas sentem, mas a crise económica ainda está longe de ter sido ultrapassada

A boa evolução do processo de vacinação em Portugal já está a ter efeitos positivos na área do turismo e poderá mesmo ser uma das principais alavancas para a sua recuperação. Esta é, pelo menos, a opinião das personalidades ligadas ao setor que, ontem, participaram em mais uma conferência do Retomar Portugal, uma iniciativa organizada por BPI, Jornal de Notícias e TSF. Em análise estiveram os principais desafios que se perspetivam para o turismo no pós-pandemia e também o modo como as empresas deste ramo têm aguentado o violento embate causado pela covid-19.

Para Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), o facto de “Portugal ter uma percentagem de vacinação elevada é uma vantagem competitiva” pela confiança que tal pode transmitir. Isto porque, conforme o próprio explicou, “a segurança é, desde antes da pandemia, o principal critério para a escolha de férias dos turistas”. Francisco Calheiros defendeu, contudo, que para o país colher os frutos deste êxito é preciso apostar mais na sua divulgação. “Sabemos que somos o segundo país mais vacinado do mundo, mas tenho dúvidas que os nossos potenciais clientes o saibam. Deveria ser feita uma campanha a explicar isto”, atirou o responsável.
Na mesma direção apontaram Carlos Abade, vogal do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, e João Patrício, diretor-executivo do BPI. “Termos, hoje, mais de 70% da população vacinada é uma mais-valia. Claro que isso não se reproduz imediatamente no nível de procura, mas temos já sinais de uma retoma que começou em junho”, esclareceu Carlos Abade. “A questão da vacinação é crítica porque vai permitir voltarmos a ter níveis de segurança muito relevantes. Estamos num ponto muito interessante, onde há evidências claras de recuperação”, disse João Patrício.
Por outro lado, José Theotónio, CEO do Grupo Pestana, referiu que apesar destes dados positivos serem uma realidade, “eles são ainda ténues e não são uniformes em todos os destinos portugueses”. Além disso, segundo este CEO, o impacto da pandemia teve efeitos devastadores que as ajudas do Governo não mitigaram na totalidade. “Os apoios à manutenção dos postos de trabalho foram muito importantes, mas ninguém pode estar mais forte depois de 18 meses de pandemia”, salientou José Theotónio.
Apelo a novas medidas
A propósito da ação do poder executivo, Francisco Calheiros considerou que se num primeiro momento “o Governo esteve bem e lançou uma série de apoios, agora estas medidas estão completamente esgotadas”. O presidente da CTP afirmou mesmo que “as empresas estão presas por arames” e rematou dizendo que para que o turismo volte a ser um motor económico “é fundamental que, quando houver procura, exista oferta instalada”.

“A retoma da capacidade aérea é fundamental porque mais de 60% do turismo em Portugal é estrangeiro”
Carlos Abade, Vogal do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal

“A segurança é, já desde antes da pandemia, o principal critério para a escolha de férias dos turistas”
Francisco Calheiros, Presidente da Confederação do Turismo de Portugal

“A questão da vacinação é crítica porque vai permitir voltarmos a ter níveis de segurança muito relevantes”
João Patrício, Diretor-executivo do Banco BPI

“Apoios do Governo foram importantes, mas ninguém pode estar mais forte depois de 18 meses de pandemia”
José Thetónio, CEO do Grupo Pestana