Turismo vive o momento mais crítico de sempre

Setor faz contas a ano fatídico, com perdas em torno dos 65%, e anseia pelo regresso à normalidade.

O turismo está a ser uma das áreas mais afetadas pela crise gerada pelo novo coronavírus, prejudicando vários tipos de negócio e obrigando a uma abordagem diferente por parte dos diversos agentes ligados ao setor. As “novas formas de turismo e a rota da Estrada Nacional 2 (EN2)” será exatamente o tema em discussão na quarta conferência do programa Retomar Portugal, que BPI, Jornal de Notícias e TSF organizam em parceria com a Sage.

PRÓXIMOS MESES DIFÍCEIS

Francisco Calheiros, presidente da Confederação de Turismo de Portugal (CTP), faz um retrato negro, numa altura em que a época alta já passou e a Europa está a braços com a segunda vaga da pandemia. “Esta é a maior crise a que já assistimos. A taxa de ocupação dos hotéis, neste momento, é muito pequena e, por exemplo, em Lisboa, está entre os 10 e os 15%. Além disso, já se fala de uma terceira vaga e, portanto, os próximos meses não se adivinham fáceis”. Durante o verão, apesar de tudo, a atividade turística conheceu uma afluência maior, sobretudo por parte dos clientes nacionais, que ficaram pelo país, procurando também destinos mais isolados e menos requisitados (EN2 é um exemplo). Ainda assim, segundo o presidente da CTP, tal não chegou para suprir a falta de turistas estrangeiros: “Numa projeção que fizemos, e que envolveu todos os nossos stakeholders, tudo aponta para uma quebra de receitas de 65% este ano. A época alta, para nós, de alta não teve nada”. No Algarve, região turística por excelência, a crise faz-se notar com particular realce. Isto mesmo é confirmado por João Fernandes, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA): “O cenário suscita preocupação, em especial, num ramo que depende da deslocação de pessoas. Somos uma região que vive muito do turismo e mesmo as outras áreas acabam por ter uma relação estreita com este setor. Infelizmente, não há dúvida de que haverá um número considerável de falências de empresas e o desemprego aumentará”. Para o futuro, porém, tanto Francisco Calheiros como João Fernandes assumem uma opinião otimista: “Esta crise vai passar como todas as crises passaram. Vamos voltar a ter os turistas que tivemos”, refere o líder da CTP. “Não tenho dúvidas de que, a médio e longo prazo, o turismo continuará a crescer. Se olharmos para os últimos oito anos, este foi o setor que mais cresceu e essa é uma tendência que se vai registar assim que houver uma retoma da atividade, mas temos de reforçar apostas como a da transição digital e a da sustentabilidade”, defende João Fernandes.