Têxtil e calçado procuram no digital vacina para curar o setor

Adversidade vivida devido ao coronavírus faz com que as empresas tentem desenvolver mais os seus processos, alargando a oferta no espaço virtual

A digitalização é uma vacina segura para tornear a crise causada pela pandemia. A iniciativa Retomar Portugal, criada pelo BPI, JN e TSF, com o apoio da Sage, arrancou ontem. A primeira conferência foi dedicada a analisar o estado do megassetor do calçado, do têxtil e do vestuário.

No painel de convidados estiveram Luís Onofre, presidente da APICCAPS (associação de calçado), António Braz Costa, diretor-geral do Centro de Investigação do Têxtil e do Vestuário (Citeve), Mário Jorge Machado, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) e Miguel Ribeiro, diretor-coordenador do BPI.

Um ponto em comum: a crise merece uma resposta e a reinvenção do setor. Luís Onofre chamou precisamente a atenção para os danos provocados pela covid-19: “Esta pandemia tem sido, de facto, brutal pelo impacto que teve no setor da moda em geral e no calçado também. Com este aumento de casos, o que prevejo é que possamos estar perante um cenário de crise profunda”. Não obstante, o presidente da APICCAPS referiu também que a digitalização poderá funcionar como uma via de escape para este momento tão delicado. “Sem dúvida que é o caminho a seguir e vamos apoiar as empresas para que elas se tornem o mais digitais possível”.

PREJUÍZOS AVULTADOS
Numa situação idêntica à do calçado está, segundo Mário Jorge Machado, o vestuário, onde se teme que uma segunda vaga do novo coronavírus tenha consequências alarmantes. “As empresas estão a sofrer e a ter prejuízos muito elevados, pelo que um novo confinamento não pode acontecer. O têxtil e o vestuário são, em Portugal, predominantemente exportadores e o mercado europeu não pode parar”.

Sobre a questão do digital, o líder da ATP não tem dúvidas: “A relação com os clientes de uma forma virtual é algo que veio para ficar, os contactos físicos e digitais são complementares e vão ser a nova realidade”. Já Braz Costa preferiu salientar a grande vontade das empresas em retomar a atividade e adaptar a sua produção às novas exigências do mercado: “Houve empresas que chegaram a estar em lay-off, mas que perceberam a oportunidade de trabalhar em equipamentos de proteção individual”. Em paralelo com esta capacidade de reinvenção deverá estar, na sua opinião, a aposta nas novas tecnologias: “Esta vai ser uma área de grande desenvolvimento no futuro.

No Citeve avançamos com um projeto para dar passos iniciais nas áreas das amostras virtuais e da desmaterialização dos processos de negócio”. Por fim, Miguel Ribeiro chamou a atenção para a rapidez do incremento da digitalização quer na Banca quer na esfera empresarial, acrescentando que este é um processo incontornável: “Esta crise veio trazer a aceleração do digital. Essa foi uma das oportunidades aproveitadas e neste momento já não há retorno”.