TAP e novo aeroporto assumem importância vital

Setor está dependente do regresso à normalidade das infraestruturas aéreas.

Para que o turismo regresse ao auge dos tempos pré-pandémicos é impreterível que o tráfego aéreo seja reatado nos mesmos moldes. No caso português, a situação da TAP e a construção do novo aeroporto ganham uma relevância particular, segundo defenderam os oradores da conferência de ontem.

No entender de Carlos Abade, vogal do Conselho Diretivo do Turismo de Portugal, “a retoma da capacidade aérea é fundamental porque mais de 60% do turismo no país é estrangeiro”. Por isso, o responsável considerou a TAP como sendo “crucial, nomeadamente na ligação a destinos como os Estados Unidos e o Brasil”, embora tenha chamado a atenção para a importância de Portugal “não ficar dependente de uma só companhia e diversificar o mais possível”. Carlos Abade acrescentou ainda que “a construção de um novo aeroporto em Lisboa deve ser uma prioridade”.

Também José Theotónio, CEO do Grupo Pestana, reconheceu o quão delicada é a discussão à volta da TAP, notando porém que o peso desta não se faz sentir de modo igual em todo o território. “A importância da TAP, em termos turísticos, não é homogénea em todos os destinos. Para o Algarve ou para o Porto, a TAP conta pouco. Agora, para outros sítios, como Lisboa, é essencial”, referiu o CEO.

José Theotónio salientou, para além da importância da TAP, que a localização geográfica de Portugal faz com que o país “funcione como uma ilha”, o que obriga a que quem queira deslocar-se até cá seja forçado a recorrer ao transporte aéreo.

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), sustentou que a recuperação da companhia aérea portuguesa conforme estava antes da pandemia “é determinante para que o turismo possa recuperar os níveis de 2019”. Sobre o novo aeroporto, o líder da CTP assumiu uma opinião perentória: “Em 2020, se não tivesse havido a pandemia, o caos que ia existir no aeroporto de Lisboa seria insuportável. O novo aeroporto de Lisboa não só é um desígnio nacional, como é uma vergonha nacional”, afirmou Francisco Calheiros.

Do lado do BPI, João Patrício, diretor-executivo do banco, pôs igualmente a tónica no futuro da TAP e na sua influência para o sucesso do turismo: “É óbvio que o tema da TAP é muito relevante porque se as pessoas não conseguirem cá chegar, não vamos ter o dinamismo que tínhamos”, assinalou.

Curiosidade

Segundo José Theotónio, a Madeira foi o único destino em Portugal a ter conseguido, este ano, receber mais turistas internacionais do que nacionais. Em todos os outros lugares, o mercado luso liderou.

70% dos europeus, segundo um inquérito, planeiam viajar nos próximos seis meses, sendo que metade deles considera visitar um destino fora do seu país de origem.