Sustentabilidade é a nova urgência a nível mundial

Pandemia gerou mais cuidados ambientais, mas é necessário manter certos hábitos adquiridos.

A sustentabilidade é um assunto abrangente e que marca a atualidade há já muito tempo. Porém, a pandemia veio acentuar algumas das práticas mais prementes no sentido de a sociedade caminhar, no seu todo, para um estilo de vida sustentável. O tema em questão será, de resto, o foco de mais uma conferência da iniciativa Retomar Portugal, organizada por BPI, Jornal de Notícias e TSF, e que decorrerá na próxima quarta-feira (7 de julho).

Miguel de Castro Neto, subdiretor da Nova Institute Management School (Nova IMS), é da opinião de que a conjuntura pandémica veio servir para proporcionar uma maior consciencialização ambiental. “A pandemia colocou desafios, mas também oportunidades porque fomos confrontados com uma realidade de que não tínhamos noção, como o impacto da diminuição do trânsito na qualidade do ar ou na redução do ruído”, exemplificou.

Já Hélder Spínola, professor na Universidade da Madeira, explica que a adesão massiva ao teletrabalho, por causa da covid-19, contribuiu igualmente para evidenciar a urgência de alterar certos hábitos. No entanto, com a progressiva normalização da atividade económica e o fim da obrigatoriedade deste regime laboral, o académico diz que “voltamos a ter consumos elevados de energia e uma produção grande de resíduos”. Significa, portanto, que, segundo Hélder Spínola, “a tendência é de que as alterações que vamos vendo não se mantenham”.

Para um quotidiano mais amigo do ambiente e dos cidadãos muito poderá contribuir o desenvolvimento de ‘cidades inteligentes’. Nas palavras de Miguel de Castro Neto, este é um conceito que visa “promover a qualidade de vida das pessoas”. Para tal, acrescenta, a intenção passa, em síntese, por “utilizar a transformação digital, de modo a alterar o paradigma do planeamento e gestão das cidades”. Um caminho que, segundo o responsável da Nova IMS, já vem sendo trilhado por várias autarquias em Portugal, mas que “terá de ter uma dimensão de intervenção social e de cidadania na construção do que é a cidade que cada um quer para si”.

Outra questão importante será perceber se, doravante, o tão ansiado retorno do crescimento económico é conciliável com um planeta sustentável. A este propósito, Miguel de Castro Neto deseja que “as poucas coisas boas que resultaram desta pandemia possam perdurar e sirvam para nos inspirar nas ações futuras”. Hélder Spínola, por seu turno, refere que “é preciso que exista um novo estilo de vida e que as políticas públicas incentivem outros modelos económicos”.

Curiosidade

Portugal é um dos 30 países mais sustentáveis do Mundo, indica um relatório elaborado por cientistas independentes para a ONU.
O nosso país ocupa a 26.ª posição, num ranking liderado pela Dinamarca.

Factos & números

3,5 mil milhões de euros serão dedicados pelo Governo à transição climática, no Plano de Recuperação e Resiliência. A transição digital contará com 2,46 mil milhões.

17% dos bancos a nível global começaram, em 2020, a desenvolver políticas de sustentabilidade, revelou
um estudo recente. Em 2019, só 49% tinham este tipo de preocupações.

Turismo sustentável

O Plano Turismo + Sustentável 20-23 pretende que, até 2023, 75% dos projetos turísticos nacionais tenham sistemas de eficiência energética, hídrica e gestão de resíduos.

Preocupações

A maioria dos portugueses (nove em cada dez) diz ter preocupações ambientais, optando por produtos, marcas e empresas sustentáveis, de acordo com dados de um estudo.

Cidades inteligentes

Cada vez mais cidades portuguesas tentam adaptar-se ao conceito de “smart cities”. Lisboa ocupa, aliás, a 75.ª posição entre as metrópoles mundiais mais inteligentes.

78% das emissões de CO2 em todo o Mundo são da responsabilidade dos países do G-20. Só China, Índia, União Europeia e Estados Unidos respondem por 55% das emissões.

Transição digital

Com a pandemia, a digitalização ganhou visibilidade. Em 2020, 12,3% da população ativa europeia estava em teletrabalho – mais do dobro de 2019, segundo o Eurostat.