Startups precisam de apoio externo para sobreviver

Mercado luso é demasiado curto para garantir desenvolvimento deste tipo de negócios

As startups poderão ter um papel importante a desempenhar na recuperação da economia nacional. Por isso mesmo, serão elas a estar no centro da próxima conferência do Retomar Portugal (terça-feira), uma iniciativa do BPI, Jornal de Notícias e TSF. Porém, para que este tipo de projetos consiga nascer e evoluir, é necessário captar mais investimento externo. Esta é uma ideia na qual coincidem Carlos Brito, vice-reitor da Universidade Portucalense, e Jaime Quesado, economista e gestor.

“As startups podem ser motores da economia, pois são veículos de incorporação de conhecimento e tecnologia em produtos e serviços competitivos à escala global. O problema é que o nosso mercado é curto e, por isso, é importante atrair investidores estrangeiros para o nosso país”, explicou Carlos Brito. Na mesma linha, Jaime Quesado considera que “as startups precisam de se afirmar no Mundo e não podem ficar limitadas ao seu mercado local”. Por este motivo, o economista sustenta que “o investimento estrangeiro é decisivo, na medida em que traz inovação e boas práticas, podendo com isso induzir algumas das startups a crescer”.

Pandemia prejudicou

A necessidade de angariar um maior número de verbas e apoios à escala global tornou-se ainda mais urgente após a chegada da pandemia que, segundo Jaime Quesado, provocou um abalo considerável em empresas como estas. “O facto de termos estado num contexto de isolamento fez com que muitas startups tivessem dificuldade de aproximação e de demonstração de potencial junto dos seus clientes”, referiu o economista. Como resposta à crise, Carlos Brito defende que “é importante criar condições para que as startups surjam e escalem rapidamente e as que não forem viáveis morram também rapidamente”. Isto porque, segundo assegura o vice-reitor, “a última coisa que é preciso é ter incubadoras de empresas que dão apoio e sustento a negócios inviáveis”.

Já quanto à capacidade dos novos empreendedores que têm impulsionado o aparecimento de diversas startups em Portugal, Carlos Brito acredita que se trata de “uma geração claramente mais bem preparada, com mais talento e espírito empreendedor do que as anteriores”. Jaime Quesado reconhece também que os jovens empresários portugueses “têm evoluído muito nas suas aptidões, sobretudo na área digital”. No entanto, para este economista, é necessário fomentar uma maior sinergia empresarial no país: “Os empresários só têm a ganhar se desenvolverem uma cultura de cooperação porque, cooperando, acabam por ter maior sucesso”, afirmou.

Curiosidade

O investimento em startups triplicou, na Europa, no primeiro trimestre de 2021, para um total de 57,5 mil milhões de euros. O Reino Unido foi quem captou a maior fatia, seguido da Alemanha, Suécia e Holanda.

Factos & números

33% das mais de duas mil startups que existem em Portugal estão ligadas ao setor das tecnologias de informação, segundo revelou um estudo recente realizado pela IDC.

1,1% do produto interno bruto nacional pertence às startups. O Governo já anunciou que, até 2023, a intenção é que este tipo de empresas passe a contribuir para 2% do PIB.

Carga fiscal

Portugal é o oitavo país da OCDE com a taxa mais elevada de IRC: 21%. A Índia é, neste capítulo, a nação onde o imposto sobre as empresas é mais elevado (48,3%).

Vida curta

Antes da pandemia, só 42% das startups nacionais se conseguia manter à tona até completar
cinco anos de vida e uma em cada três encerrava a atividade ao fim de um ano.

Peso na bolsa

De acordo com a CB Insights, os quatro unicórnios portugueses (Farfetch, Talkdesk, OutSystems e Feedzai) representam 40% do PSI-20, valendo 25,8 mil milhões de euros.

25 mil empregos são assegurados, em Portugal, pelas startups. Porto, Coimbra e Lisboa são os
principais hubs nacionais, ao incubarem a maioria das startups existentes.

Estrutura europeia

Portugal irá acolher a “Europa Startup Aliança das Nações”, uma estrutura que visa apoiar e fomentar o empreendedorismo a nível europeu e que terá sede em Lisboa.