Reindustrializar é preciso

Não há dúvidas relativamente ao impacto que a pandemia de covid 19 provocou e continua a provocar nas economias

A quebra da oferta e o recuo da procura não poupou nenhuma área embora o impacto seja diferente de setor para setor.
Em alguns casos o fecho das economias pôs a nu problemas já existentes . Na Indústria , por exemplo , a dependência da China ou da Índia existia antes da pandemia e com ela se acentuou. Os agentes económicos defendem, por isso, que a crise sanitária deverá ser aproveitada de forma inteligente de modo a que os seus efeitos na economia sejam revertidos reinventando-se o setor no sentido da Reindustrialização.
Esta ideia foi defendida por Luís Mira Amaral. O gestor e ex- ministro da Indústria considerou, na conferência Retomar Portugal, que o caminho é apostar no “tripé” “produção de bens de alto valor ( associado ao conhecimento), a digitalização e o ambiente. Uma ideia que foi partilhada também pelo diretor geral da Cotec, Jorge Portugal, que considera que a Europa , incluindo Portugal , tem investido nas “Indústrias do conhecimento” faltando, no entanto,o passo seguinte ou seja criar os chamados bens de alto valor para poderem ser comercializados e , desta forma, competir no mercado com países como a Índia, a China e o Japão.
A aposta na Reindustrialização só poderá avançar em força quando a crise do SARS COV 2 estiver ultrapassada ou dominada e a atividade económica começar a recuperar passando-se depois à fase da estabilização económica nomeadamente com a redução do endividamento. O administrador da Schmidt Light Metal , Filipe Vilas Boas, considera que no percurso de saída da crise é por isso fundamental o Estado, a União Europeia e a própria banca apoiarem a retoma, neste caso a Indústria, disponibilizando-lhe fundos para que possa investir e reerguer num contexto de grande competitividade.
O diretor – coordenador do BPI , Luís Carlos Alves , admite que, para a banca, a Indústria é apetecível até porque o seu risco é mais baixo do que em outros setores . O responsável considera que isso acontece porque a Indústria está vocacionada para a exportação e, defende, que “quem exporta tem de ter mais competências do que quem vende para o mercado interno”.
Por ajudar os estados membros a mitigar os efeitos da crise , a Comissão Europeia aprovou um pacote de recuperação de 1,8 biliões de euros, cabendo a Portugal mais de 45 mil milhões de euros. Este pacote integra o orçamento plurianual para 2021-2027, de 1,07 biliões de euros, e o Fundo de Recuperação de 750 mil milhões de euros.