Recuperação do turismo será lenta e a oferta terá de ser readaptada

Pandemia do medo deverá permanecer após a covid-19 ser erradicada, pondo travão a um possível crescimento rápido num setor que vive das viagens.

O turismo procura reerguer-se da grande queda que a pandemia lhe causou, mas a recuperação deve ser lenta e dificilmente se poderá falar de uma retoma expressiva em 2021. Este foi, pelo menos, o cenário que traçaram os responsáveis ligados ao setor que participaram na conferência Retomar Portugal, organizada por BPI, Jornal de Notícias e TSF, com o apoio da Sage. Segundo Luís Castanheira Lopes, administrador do Grupo Pestana, o facto de o país manter as suas principais virtudes intactas é um fator positivo, no entanto o receio das pessoas poderá ser fator de retração da atividade turística. “Continuamos a ter uma paisagem maravilhosa, um clima fantástico, hotéis de excelente qualidade e os portugueses acolhem bem quem os visita, mas falta a procura. A subida vertiginosa no turismo não vai acontecer porque o medo não se supera de um dia para o outro, mesmo com a existência de vacinas contra a covid-19”. Na mesma linha, a diretora-coordenadora do Turismo de Portugal, Lídia Monteiro, não acredita que o público de massas volte a dominar a tendência tão cedo e aponta a necessidade de explorar novos nichos de mercado: “A recuperação não vai ser rápida, mas não podemos ficar parados, temos de estar preparados para o futuro. Num primeiro momento, o turismo vai ser consumido de forma diferente, direcionado para pequenos grupos e para destinos alternativos. Portugal tem um portfólio de oferta que responde bem a estas tendências”.

TEMPOS DE MUDANÇA

Luís Machado, presidente da Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 (EN2), salienta igualmente a importância de preparar, tanto quanto possível e dentro das limitações existentes, aquilo que deverá marcar os próximos tempos. “Se queremos manter a marca Portugal como um dos melhores destinos turísticos do Mundo, temos de trabalhar o período pós-pandemia. A oferta vai ser distinta, mas o nosso país tem potencialidades que ainda não estão exploradas”. Do lado da Banca, João Patrício, diretor-coordenador responsável pelas empresas e institucionais da área sul do BPI, reconheceu também os efeitos devastadores da crise: “É um momento sem precedentes. A contração económica que vamos ter este ano vai ser superior à contração acumulada que tivemos nos três anos da última crise e o turismo é dos mais afetados. Esta área é totalmente estratégica, desde logo pela importância que tem na economia nacional”. Para que, uma vez ultrapassados os problemas sanitários, o turismo possa estar em condições de dar resposta à procura que existir, os oradores concordaram ser imprescindível dar passos que permitam reanimar o setor. Exemplos disto são, na sua perspetiva, o apoio à contratação ou a aposta no transporte aéreo que comece a trazer de volta os turistas de outrora