Privados admitem adiar cirurgias para acolher mais doentes covid

Face ao risco de colapso dos serviços de cuidados intensivos, especialistas acreditam que recurso a instituições particulares e sociais pode ajudar.

A Os hospitais privados estão disponíveis para desmarcar cirurgias para libertar camas e capacidade de cuidados intensivos para tratar doentes covid. Quem o garantiu foi o presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada (APHP), Óscar Gaspar, um dos oradores da Conferência Retomar Portugal – organizada pelo BPI, “Jornal de Notícias” e TSF –, ontem dedicada ao tema “Saúde e apoio social”. No painel de oradores marcaram ainda presença Cláudia Almeida, diretora de marketing de empresas do BPI, Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), e Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP). Todos foram unânimes em defender que, face ao quadro atual, o apoio de grupos privados e de instituições de solidariedade é fulcral para o funcionamento do SNS. “Temos vindo a insistir, nas últimas semanas, que era muito importante conhecer o planeamento do Ministério da Saúde, porque há a possibilidade de também os privados cancelarem as cirurgias, como está a ser feito numa série de hospitais públicos, no sentido de também libertarmos camas e capacidade de cuidados intensivos”, afirmou Óscar Gaspar.

TODOS CONTAM

Na opinião de Ricardo Mexia, nesta altura, toda a ajuda é indispensável e bem-vinda. “Numa situação como aquela que atravessamos, não há recursos que possam ser dispensados de contribuir para a resolução dos problemas. Os diversos setores e as suas valências têm de ser mobilizadas. Estamos num momento excecional e isso implica o contributo de todos. Cada um tem de contribuir naquilo em que possui diferenciação”. Também Manuel Lemos fez questão de salientar a unidade que considera dever existir entre as esferas pública e privada para a resolução de um problema que a todos afeta. “Uma coisa é um serviço nacional, outra é um serviço público de saúde. Um serviço nacional, sobretudo neste momento, pressupõe que todos os atores – independentemente da sua natureza pública, social ou privada – se juntem para uma solução nacional, que é combater a pandemia”. Noutra perspectiva, e já como nota final, Cláudia Almeida enfatizou o papel das empresas que, no seu entender, contribuíram igualmente, através da rápida adoção de procedimentos preventivos a nível interno. “Trabalhar numa empresa grande é um privilégio porque se desenvolveram planos de contingência. Há a hipótese de fazer as pessoas trabalhar em turnos de 15 dias ou até de estarem em teletrabalho”. Óscar Gaspar deixou ainda preocupações com o “pouco investimento”, o que deixa Portugal “muito abaixo da média europeia”, e com os dados que revelam que apesar dos impostos os portugueses ainda pagam do seu bolso 30% dos seus cuidados de saúde.