Pandemia prendeu por fios fileira que sabe ser criativa

Têxtil, vestuário e calçado acabam por confluir num megassetor à procura de novas soluções

Têxtil, vestuário e calçado corporizam uma fileira fundamental para o país. Por esse motivo, o pontapé de saída da iniciativa “Retomar Portugal”, que irá ocorrer na próxima quinta-feira, vai focar a sua atenção neste megassetor com especial peso na economia.

Segundo os últimos dados, a indústria têxtil e de vestuário tem seis mil empresas e 138 mil empregados. Já o calçado tem 1526 empresas que empregam mais de 40 mil trabalhadores.

Com a chegada da pandemia, os negócios têm sofrido aqui um abalo considerável. Manuel Serrão, empresário e diretor-geral da Associação Seletiva Moda (ASM), confirma os danos causados pela covid-19 no setor: “O impacto foi enorme, sobretudo no que respeita à promoção internacional, através da presença em feiras no estrangeiro que foram adiadas ou canceladas. Além disso, as alternativas digitais que se foram tentando ainda não revelaram uma eficiência capaz de substituir os eventos presenciais”.

Também César Araújo, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC), traça um cenário negativo da situação vivida devido ao novo coronavírus: “Temos sido dos setores mais devastados por esta pandemia porque as pessoas deixaram de consumir os nossos produtos. Sentimos a falta de encomendas desde abril até agosto e já há cancelamentos para a primavera/verão de 2021”.

Numa linha um pouco diferente encontra-se Paulo Vaz, administrador da AEP e antigo diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, que apesar de reconhecer as dificuldades existentes se mostra confiante numa recuperação rápida e que permita atenuar as perdas: “Claro que houve uma travagem brusca, mas estou convencido de que se vai chegar ao final do ano com uma quebra de 8% a 9%, o que é muito menos do que se temia no início. Aliás, quase diria que é até uma enorme vitória”.

Pese embora a conjuntura delicada, tanto Paulo Vaz como Manuel Serrão enaltecem a capacidade inventiva das empresas. “Muitas conseguiram reconverter-se e estão a demonstrar um grande nível de criatividade”, referiu o administrador da AEP. “Esta indústria tem sido capaz de se reinventar graças à produção de artigos como máscaras, batas ou golas”, exemplificou o diretor-geral da ASM. Inovar pode ser, portanto, a palavra-chave de um futuro que, ainda assim, segundo César Araújo, se antevê complicado, pois “enquanto os mercados internacionais não arrancarem, as exportações vão sofrer”.