País perdeu terreno na ciência e inovação

País perdeu terreno na ciência e inovação

Académicos criticam ausência de metas e escasso investimento

Portugal teve, desde 2014, uma trajetória ascendente no European Innovation Scoreboard, o ranking europeu da inovação, tendo alcançado mesmo o estatuto de “inovador forte” entre os seus parceiros comunitários. Porém, na última avaliação, o país baixou a fasquia, passando para o lote de “inovadores moderados”. É exatamente no estado atual da área da ciência e inovação que recairá o foco da conferência de amanhã do Retomar Portugal, um programa organizado por BPI, JN e TSF.

Falta foco e intensidade

Segundo José Tribolet, fundador e investigador emérito do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC), a queda nacional no ranking ficou, desde logo, a dever-se à introdução de novas variáveis de avaliação que, na sua perspetiva, “são talvez mais ricas, completas e verdadeiras”. Além disto, Tribolet diz faltar “foco” e “intensidade” a Portugal em matéria de inovação científica, sobretudo ao nível da administração pública.

De modo a que o país reentre nos trilhos inovadores, o fundador do INESC defende a criação de uma espécie de task force, semelhante à do processo de vacinação contra a covid-19. “São precisos comandos de forças especiais para passar por cima das capelinhas todas e atingir resultados. Para isso é necessário dinheiro na mão, mas nós agora temos essas condições”, refere José Tribolet, para quem “a metodologia de execução do Orçamento do Estado é desadequada a uma sociedade moderna que se quer transformar”.

Emídio Gomes, reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), considera, por outro lado, que o problema da inovação na ciência não está na falta de definição e cumprimento de objetivos, mas sim nas assimetrias regionais. “Falta apostar na capacitação do tecido empresarial e do território como um todo, esse é o maior desafio. Um país que não olhe assim para o território nunca será desenvolvido e é perfeitamente possível, por exemplo, fazer investigação e inovação de topo na área agroalimentar em Bragança”, assegura o académico.

Tanto Emídio Gomes como José Tribolet concordam em salientar as mudanças positivas que a pandemia introduziu neste tema em termos de mentalidades. “Os sobressaltos cívicos são sempre negativos, mas geram uma oportunidade e, claramente, o mundo da ciência e da inovação subiu uns pontos na apreciação que a sociedade faz dele”, assinala o reitor da UTAD. “A pandemia alterou a transformação digital cá e também é claro que a perceção genérica do valor da investigação melhorou”, afirma José Tribolet. v

NO DIA 20, ÀS 10 HORAS, SIGA A CONFERÊNCIA EM JN.PT, TSF.PT OU NO LINKEDIN DO BPI.