O país precisa de recuperar do golpe económico

Sete conferências serão palco para debater ideias, propor caminhos e ajudar à retoma

A pandemia provocada pelo novo coronavírus colocou um travão na economia. Sob o mote “Retomar Portugal”, diversos temas estruturantes para a economia nacional estarão em debate a partir do próximo dia 22. Trata-se de um círculo de conferências digitais, organizado pelo BPI, JN e TSF, com o apoio da tecnológica Sage, e que conta com o alto patrocínio do Ministério da Economia.

Ao todo, ocorrerão sete conferências, sendo privilegiada em cada sessão uma área temática diferente. Da saúde ao turismo, passando pela indústria e pelo comércio, entre outros tópicos relevantes, tudo será discutido a partir do prisma de oradores especializados nas matérias em análise.

Devido à covid-19, tem-se assistido a um agravamento considerável em vários indicadores fundamentais. Um deles é o desemprego: segundo o Instituto Nacional de Estatística, desde março até agosto, houve mais de 100 mil pessoas que perderam o seu trabalho. O cenário é igualmente negativo no que se refere ao PIB, com as últimas previsões governamentais a apontarem para uma queda de 8,5% face a 2019. Será o maior tombo da economia desde o início do século XX. Em paralelo, há que ter em conta a perspetiva de entrada de fundos comunitários que visam combater a crise.

Há setores mais afetados – como o turismo, os transportes e os eventos sociais – e há outros que mostraram uma grande resiliência, como a agricultura e a saúde que esteve sob uma enorme pressão. Ao mesmo tempo, as empresas tiveram de alterar processos e dotar os seus recursos humanos de meios para poderem trabalhar à distância.

Pedro Barreto, administrador do BPI

Segundo Pedro Barreto, administrador do BPI, o golpe económico desta pandemia tem sido significativo, mas não atingiu todos da mesma forma: “Há setores mais afetados – como o turismo, os transportes e os eventos sociais – e há outros que mostraram uma grande resiliência, como a agricultura e a saúde que esteve sob uma enorme pressão. Ao mesmo tempo, as empresas tiveram de alterar processos e dotar os seus recursos humanos de meios para poderem trabalhar à distância”.

No entender de Josep Maria Reventós, country manager da Sage, o quadro atual mostra uma realidade complexa e difícil: “A covid-19 está a ter um impacto enorme no tecido empresarial português. Num inquérito feito a 1800 PME nossas clientes, 47% afirmou ter perdido mais de 50% da sua faturação no período pandémico e 36% não prevê que ocorra uma recuperação no futuro”.

A covid-19 está a ter um impacto enorme no tecido empresarial português. Num inquérito feito a 1800 PME nossas clientes, 47% afirmou ter perdido mais de 50% da sua faturação no período pandémico e 36% não prevê que ocorra uma recuperação no futuro.

Josep Maria Reventós, Country Manager da Sage

Por tudo isto, torna-se crucial antecipar, dentro do possível, aquilo que o médio e longo prazo poderão trazer e discutir formas de relançar o país. Pedro Barreto destaca precisamente a importância de iniciativas como esta: “É algo de muito positivo porque vai permitir criar uma série de debates sobre as principais áreas da economia portuguesa. Nesta fase, é importante esclarecer as pessoas sobre o que fazer e a que apoios podem recorrer”.

Já Josep Maria Reventós justifica o apoio prestado pela Sage ao Retomar Portugal e chama a atenção para o que julga ser indispensável ao funcionamento empresarial: “Queremos que as nossas soluções ajudem à recuperação económica e essa foi a razão principal pela qual aderimos a este programa. Consideramos que uma das alavancas mais importantes para reerguer a economia vai ser a digitalização das empresas”.

O evento irá estender-se até janeiro do próximo ano. As sete conferências serão realizadas online, de modo a garantir o cumprimento das normas sanitárias.