Novo confinamento trava retoma das exportações

Esperança de um ano próspero pode ter ficado afetada pela terceira vaga da covid-19

As transações com os mercados externos são a base de várias empresas portuguesas. No entanto, a pandemia veio atrapalhar a economia e a mobilidade em geral e, com isso, houve implicações óbvias em relação às exportações. Numa altura em que o país se vê a braços com um novo confinamento, o projeto Retomar Portugal – organizado por BPI, “Jornal de Notícias” e TSF, em parceria com a Sage – irá analisar, já amanhã, precisamente o impacto da covid-19 no comércio internacional. António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), mostra-se apreensivo com a situação vivida nas exportações nacionais neste início de ano, depois de 2020 ter sido marcado por um balanço nefasto: “Esta nova onda de casos é preocupante, até porque não afeta apenas Portugal, atinge todo o Mundo e desde logo a Europa, para onde destinamos uma parte significativa das nossas exportações. Isto vem prejudicar índices que já estávamos a perspetivar em retoma”.
A confirmar este cenário de demora na inversão do mau ciclo económico estão as previsões do Banco de Portugal, que apontam um regresso pleno aos tempos de pré-pandemia, no âmbito dos bens e dos serviços, somente para 2023. Miguel Coelho, economista e professor universitário, assume sobre isto uma visão até um pouco mais pessimista: “Os principais mercados de destino, à luz dos dados que tínhamos no final do ano, só vão recuperar em 2022 ou 2023. Portanto, as exportações portuguesas não vão recuperar antes de 2023 e até admito que só recuperem em 2024”.
Enquanto a crise pandémica dura, o Executivo tem anunciado uma série de programas de apoio às empresas. Porém, António Saraiva queixa-se de atrasos na chegada das verbas prometidas. Algo que, no seu entender, é motivado por uma burocracia grande. “Todos os apoios do Governo são bem-vindos, a crítica que faço é à chegada tardia desses apoios ao terreno. É importante que sejam anunciadas medidas, mas mais importante do que anunciar é concretizar e aí é que as coisas têm falhado. Há uma enorme complexidade burocrática”.
Já Miguel Coelho admite igualmente falhas do Estado, mas reparte as culpas também pelos empresários: “Há aspetos burocráticos que dificultam, mas também há uma componente que tem a ver com a capacidade das empresas prepararem os processos. Não chega bater à porta do Estado ou de um banco e pedir apoios. É preciso que as empresas demonstrem que são viáveis e que conseguem reembolsar as dívidas ou utilizar adequadamente os capitais a fundo perdido”.