Na primeira conferência Retomar Portugal ficou claro que os têxteis e o calçado não escaparam ao impacto da crise da covid-19 na economia

Para travar os prejuízos, o setor apostou na digitalização, na reversão da produção tradicional para a produção materiais de proteção individual, como máscaras e batas, para além do recurso a apoios criados pelo governo, nomeadamente  em termos de legislação laboral,  para evitar despedimentos e fecho de empresas. 

Para travar os prejuízos, o setor apostou na digitalização, na reversão da produção tradicional para a produção materiais de proteção individual, como máscaras e batas, para além do recurso a apoios criados pelo governo, nomeadamente  em termos de legislação laboral, para evitar despedimentos e fecho de empresas.

Apesar do esforço, a queda das exportações, principal destino dos produtos setor, não conseguiu ser evitada. A persistência da covid-19 neste outono -inverno obriga a que se façam ajustamentos.

O presidente da APICCAPS , Luís Onofre, considera que é urgente que a União Europeia faça uma defesa consistente do setor, no espaço dos 27, alterando o Sistema de Preferências Generalizadas (SPG) que está em vigor e que protege os produtos que chegam de fora da união permitindo-lhes o pagamento de taxas alfandegárias residuais.

O presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, Mário Jorge Machado, partilha da opinião de Luís Onofre. O SPG é um sistema que não tem nada de altruísta e por isso é preciso alterar rapidamente a situação. O diretor geral do Centro Tecnológico dos Industriais do Têxtil (CITEVE) explica que não se trata de defender um “protecionismo bacoco”, mas sim uma questão de paridade.

A par desta alteração, o diretor-coordenador do BPI, Miguel Ribeiro, defende  a necessidade de a comissão europeia reforçar a fiscalização de produtos nas fronteiras de modo a garantir que estes são “amigos do ambiente” . Trata-se de verificar se os produtos que entram na Europa cumprem de facto os mesmos critérios do que os produtos fabricados no espaço comunitário. 

Nesta primeira conferência Retomar Portugal, o presidente da APICCAPS defendeu ainda a necessidade de as seguradoras entrarem neste esforço comum em prol do desenvolvimento da economia. O seguro de crédito é uma atividade privada fundamental para dar confiança aos empresários que temem as insolvências dos seus clientes. Apesar de privada, esta é uma atividade na qual o Estado pode ter um papel a desempenhar como aconteceu em 2008 assumindo a partilha de riscos de modo a que as empresas não fiquem elas próprias com crédito mal parado.

Em Portugal, cerca de seis mil empresas compõem a indústria têxtil empregando cerca de 138 mil trabalhadores . Já o calçado engloba perto de 1600 empresas que dão trabalho a 40 mil pessoas.