Melhoria da rede ferroviária é imprescindível

A ideia é possibilitar aproximação aos principais centros exportadores

O A acompanhar o processo de recuperação e reconversão industrial deverá estar, segundo os especialistas, uma aposta clara nas redes ferroviárias de ligação ao continente europeu. “Se queremos injetar mercadorias no centro da Europa, a ferrovia é a maneira mais conveniente. Daí a importância das linhas de bitola europeia: uma linha a funcionar no Norte e outra linha no Sul. Transportar mercadorias por rodovia estará esgotado a prazo”, defendeu Mira Amaral. Ainda sobre esta matéria, o ex-ministro da Indústria afirmou que se trata de uma questão de coerência em relação a políticas ambientais já seguidas e que o tema não pode ser esquecido, sob pena de o país não acompanhar a tendência internacional: “Espantosamente, e em contradição com o discurso que o Governo faz da liderança na descarbonização, esquece-se a ferrovia também aqui. Nós somos um país periférico e ou temos uma logística capaz, ou isto vai afetar fortemente a competitividade das empresas portuguesas”. Dentro da mesma linha, Filipe Villas-Boas exaltou o papel que as ferrovias podem assumir nos negócios desenvolvidos lá fora, sobretudo pelo facto de Portugal se localizar na cauda da Europa: “Uma boa ferrovia torna as nossas empresas mais competitivas. Se o local de utilização daquilo que fabricamos cá estiver em diferentes áreas geográficas, o custo de transporte é sempre relevante e sendo ainda a Europa o principal centro de exportação português, a nossa localização geográfica torna-nos menos competitivos”. Luís Carlos Alves reforçou igualmente a preponderância que os comboios de alta velocidade podem ter, no sentido de facilitar as trocas comerciais com os restantes estados-membros: “Estando em contacto diário com as empresas, nomeadamente as industriais e exportadoras, onde é crítico vencer esta distância de quem está na periferia, é fundamental ter meios rápidos, eficientes e baratos de colocar as mercadorias no nosso mercado-alvo, que está no centro da Europa”. Ter um desenvolvimento ferroviário consolidado será assim importante até para que o país intensifique a sua veia exportadora que, na opinião de Jorge Portugal, é cada vez mais decisiva: “Para podermos ter uma pequena economia aberta ao Mundo, o passo a seguir é ter políticas que incentivem a disciplina exportadora das nossas empresas”.