Lares continuam a ser grande foco de preocupação

Especificidades dos cuidados a idosos obrigam a recurso a pessoal qualificado.

Outro tema que continua a suscitar apreensão por parte das autoridades de saúde é o da situação vivida nos vários lares de terceira idade espalhados pelo país. Desde logo, tem existido uma especial atenção para com aqueles que cuidam dos mais velhos nestes centros, não só por poderem fazer o vírus lá entrar como pelo medo que, muitas vezes, têm de contagiar e serem contagiados. Manuel Lemos afirmou precisamente que “a principal causa de penetração do vírus no lar é por via dos trabalhadores”. O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) esclareceu também que, na primeira vaga, “foi pedido a estes colaboradores que ficassem nos lares e isso produziu resultados excelentes, mas do ponto de vista da legislação foi problemático porque a Autoridade para as Condições de Trabalho levantou muitos problemas e, portanto, tal não se repetiu”. Todos estes problemas com os profissionais dos lares fizeram com que o Governo anunciasse a colocação de desempregados do ramo do turismo para prestarem apoio nestes locais, algo que até agora não aconteceu. Para Ricardo Mexia isso tem a ver com o facto de as “pessoas não estarem habituadas a esse trabalho. Para não profissionais de saúde, este contacto não é intuitivo, implica cuidados e algumas cautelas, pelo que o receio é compreensível”. Por causa disso, o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) sustentou que “é necessário dar formação a estas pessoas”, conseguindo-se assim um aumento de recursos. Ainda sobre esta matéria, Manuel Lemos acrescentou que o maior problema está na falta de formação daqueles que chegam para auxiliar nas tarefas mais diretas com os idosos. “O trabalho de ‘backoffice’ é muito fácil e aí temos sentido uma grande disponibilidade e colaboração, agora o trabalho de ‘frontoffice’ com os idosos (vestir, lavar, limpar) é que é mais complicado. O quadro de vivência nos lares, hoje, não é nada fácil e, por isso, temos de valorizar mais a carreira profissional dos ajudantes de lar”. Em jeito de conclusão, Óscar Gaspar chamou a atenção para o facto de, na sua ótica, “a saúde ir custar mais no futuro, até porque em Portugal a população é muito envelhecida e vai precisar de mais cuidados”. Por este motivo, o líder da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada sustenta que “é preciso haver sangue frio, capacidade de planeamento e liderança aos mais diversos níveis e uma grande entreajuda.