Investigação e desenvolvimento pautam o rumo da indústria

Com a Europa a tentar revitalizar a produção industrial, Portugal procura não ficar para trás

O novo coronavírus veio acelerar a aplicação de uma série de conceitos que já estavam a ser introduzidos na indústria. Privilegiar mais uma política assente em inovação e de – senvolvimento é um dos caminhos que as empresas portuguesas terão de trilhar, tendo em conta o processo europeu de reindustrialização em vigor. Pelo menos, foi esta a visão partilhada com unanimidade pelos participantes da penúltima conferência do programa Retomar Portugal, levado a cabo por BPI, “Jornal de Notícias” e TSF, em parceria com a SAGE. Para Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC, o ramo industrial português tem exatamente na aplicação do conhecimento uma grande prova ainda por superar: “Nos últimos 30 anos, criamos infraestruturas de geração de conhecimento em todas as áreas necessárias, como a biotecnologia ou as tecnologias de informação. Agora é preciso aplicar este conhecimento do ponto de vista do ambiente industrial e da geração de produtos, aí é que está o nosso grande desafio”. Também Luís Mira Amaral, gestor e antigo ministro da Indústria, chamou a atenção para a necessidade de pôr em prática o saber que vai sendo gerado dentro do próprio seio empresarial: “Quando investigamos, gastamos dinheiro para criar conhecimento, mas se depois não aplicarmos esse conhecimento na economia, ela não se desenvolve. É preciso pegar na investigação e aplicá-la nas empresas para haver novos processos de produção. O nosso país ainda é infraeuropeu na parte de inovação empresarial”.

MULTINACIONAIS ATENTAS

Por outro lado, Filipe Villas- -Boas, administrador da Schmidt Light Metal Group, elogiou o trabalho realizado, a este nível, em Portugal, afirmando que o país tem até sido um chamariz aliciante para grandes nomes do mercado: “A Continental ou a Bosch são exemplos de empresas de capital estrangeiro que vieram para cá porque encontraram capacidade de conhecimento e desenvolvimento. Além disso, conseguiram de forma positiva uma ligação com as universidades ou com centros tecnológicos, por isso julgo que estamos no bom caminho em termos de reindustrialização”. Da parte da Banca, Luís Carlos Alves, diretor-coordenador do BPI, salientou por fim a capacidade de imprimir planos de ação inovadores como sendo algo crucial. No entanto, avisa que, para que tal dê frutos, em vez de representar riscos comprometedores, as empresas devem manter a sua saúde financeira em bom estado. “A capacidade de implementar projetos e geri-los é muito importante. Os projetos devem ser bem estruturados e adequados aos mercados a que se destinam, utilizando as tecnologias adequadas. Para isso, é também importante que as empresas possuam salvaguarda a nível de capitais próprios porque a inovação tem riscos e, por vezes, falha”.