Imobiliário e construção vão resistindo à crise

Fileira foi atingida pela pandemia, mas as empresas têm conseguido lutar contra as adversidades

Apesar dos constrangimentos que o novo coronavírus veio impor, os ramos do imobiliário e da construção têm-se mantido à tona, de tal forma que os seus responsáveis assumem uma visão tranquila em relação ao presente. “Imobiliário, Construção e Obras Públicas” será o tema da próxima conferência Retomar Portugal, organizada por BPI, “Jornal de Notícias” e TSF em parceria com a Sage. No caso do imobiliário, os clientes nacionais que buscam residência contribuíram para que o setor tenha conseguido ver, de alguma forma, amenizadas as perdas de receitas vindas de outras áreas, como a do turismo, onde a crise é grande. Esta é, pelo menos, a opinião de Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP): “Aquilo que se passa de mau com o turismo é mau para o imobiliário e vice-versa. Ninguém sai incólume. O que acontece é que, por causa da procura interna, temos tido algumas transações. Os jovens podem adiar o casamento e as viagens, mas não vão viver para debaixo da ponte e, portanto, precisam de casa e as taxas de juro também têm ajudado”. Por isso mesmo, e pese embora a menor procura global e a época de incerteza que se atravessa, o presidente da APEMIP refere que o preço dos imóveis não deve conhecer, a breve prazo, uma grande variação: “Não há razão lógica para os valores dos imóveis baixarem drasticamente. Haverá é uma correção no nicho médio/alto, mas o mercado médio e médio/baixo está a manter-se”. Construção segue trajeto definido. Do lado da construção civil, há a registar igualmente uma situação que não só não é alarmante, como pode até ser considerada estável em termos gerais. “A construção teve uma evolução positiva no investimento. Este foi um dos setores a quem, apesar da pandemia, o país pediu que não parasse e, durante este ano, conseguiu continuar a executar a carteira de encomendas que vinha dos anos anteriores”, explica Ricardo Pedrosa Gomes, presidente da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS). Ainda assim, o quadro atual não é comparável ao que se vivia antes da chegada da covid-19 e, para Ricardo Pedrosa Gomes, não é crível que, mesmo num cenário de pós-pandemia, o crescimento seja rápido: “A nossa expectativa é que, até 2023, não chegaremos ao ponto anterior porque o ciclo da construção leva tempo, é longo. Por isso é que quando as coisas começam a correr mal, nós mantemos a atividade bem, mas quando a economia começa a crescer, também demoramos a sentir esse reflexo”.