Governo admite estender apoios ao emprego até ao final deste ano

Siza Vieira diz que ainda não é a altura de o Estado colocar travão nas ajudas necessárias à economia

O Governo considera prolongar os apoios concedidos ao emprego, no âmbito da crise provocada pelo novo coronavírus, até final deste ano. A intenção foi anunciada por Pedro Siza Vieira, ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, durante a última conferência do programa Retomar Portugal, iniciativa do BPI, do “Jornal de Notícias” e da TSF em parceria com a Sage. O evento, realizado ontem por via digital, abordou o presente e o futuro do comércio internacional em contexto de pandemia. “Nesta altura, aquilo que o Governo entende fazer é continuar a estender apoios que permitam às empresas aguentarem até haver uma recuperação da procura. Estamos mesmo preparados para continuar a estender os apoios ao emprego pelo segundo semestre, se isso for necessário. Todos os estados europeus estão alinhados no sentido de perceber que não devemos retirar apoio à economia e ao emprego”, explicou Siza Vieira. O ministro da Economia afirmou ainda que, apesar da manutenção deste tipo de incentivos poder ter um impacto importante nas contas públicas, “este não é o tempo de estar a fazer esse tipo de projeções e sim de dar as respostas adequadas, para que a crise não tenha efeitos mais nefastos sobre a economia e a sociedade”.

BUROCRACIA ATRASA

Por outro lado, Pedro Barreto, administrador do BPI, chamou a atenção para a necessidade de facilitar o processo da chegada de verbas às empresas: “Acredito nas medidas de apoio ao emprego e que devemos tentar ir mais longe nas medidas fiscais, mas é fundamental desburocratizar porque alguns destes processos são muito complexos”. Também a propósito desta questão, Maria Celeste Hagatong, presidente da COSEC, criticou a demora nas ajudas aos seguros: “Os apoios públicos aos seguros de crédito são importantíssimos na retoma da atividade tanto das empresas que exportam como das que trabalham o mercado interno. Na maior parte dos países europeus, os apoios começaram em março de 2020. Em Portugal isso foi implementado apenas em julho”. Numa linha idêntica, Paulo Pereira da Silva, presidente da Renova, referiu que apesar de não ter visto a sua empresa ser das mais afetadas pela onda pandémica, “a sensação que dá é de que o que está a ser feito nos programas que existem não é suficiente. Este é um momento muito difícil, em que é necessário fazer reestruturações”. Já Luís Castro Henriques, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), disse acreditar que, no futuro, as empresas exportadoras mais saudáveis irão voltar ao trilho do crescimento: “As nossas empresas já provaram ser competitivas e a partir do momento em que se retomar a atividade, irão conseguir entrar no mercado com a competitividade que tinham.

TAP

No entender de Siza Vieira, a TAP constitui-se como uma boa ferramenta no campo das exportações. Por isso, o ministro da Economia defende que o financiamento da companhia é imprescindível para os interesses do país: “A recuperação da TAP é importante não só para o turismo, como para a recuperação da economia no seu todo. Trata-se provavelmente de uma das companhias que mais contributos deram, nos últimos anos, para o bom momento da economia portuguesa”.

Siza Vieira defendeu, contudo, que a reestruturação da empresa deve ser feita de um modo que garanta a sua sustentabilidade: “Aquilo que temos de assegurar é que a TAP seja viável a médio e a longo prazo e que o apoio público tenha retorno. Não estamos a pôr dinheiro numa empresa para daqui a cinco anos ela ser inviável e ir à falência”.