Flexibilidade nos apoios é crucial para a retoma

Falta de seguros de crédito trava economia. Moratórias no crédito ajudam

Numa altura em que setores fulcrais para a economia nacional como o calçado, o têxtil e o vestuário atravessam tantas dificuldades, a questão dos apoios às empresas – venham eles da Banca, dos seguros ou do Estado – reveste-se de uma importância ainda maior. Também aqui se torna decisiva a existência de uma flexibilidade da parte dos credores que permita aos empresários recuperarem, pelo menos, alguma da normalidade e reerguerem os seus negócios.

REORIENTAR A ATIVIDADE
Miguel Ribeiro destacou exatamente a importância de dar tempo ao tecido empresarial: “As moratórias foram prorrogadas várias vezes e esta última prorrogação é válida até setembro de 2021. Isso tem a ver com a noção de que as empresas têm de estar concentradas em reorientar a sua atividade e não tão preocupadas com a sua função financeira”.

O diretor-coordenador do BPI fez mesmo questão de afirmar que “a principal prioridade deve passar por dar tranquilidade às empresas na liquidação das suas dívidas”. No entender de Luís Onofre, o Governo esteve globalmente bem nas ajudas concedidas, tendo inclusive atuado até melhor do que a União Europeia. O líder da APICCAPS sugeriu, no entanto, a isenção do imposto de selo e deixou um alerta em relação aos seguros de crédito: “Os seguros caíram drasticamente. Tem de haver uma motivação europeia para apoiar a produção porque, caso contrário, os nossos produtores têm medo de não receber por aquilo que produzem. Tudo isto é problemático para o setor do calçado”.

Mário Jorge Machado acompanha Luís Onofre nas preocupações relativas aos seguros: “É algo que é crítico porque estes seguros são fundamentais para manter a solvabilidade das empresas. O cenário é muito dramático”. Para o presidente da ATP, “as empresas estão encurraladas porque ou não trabalham e têm os custos inerentes ou, então, dão crédito e depois podem ter problemas de insolvência dos seus clientes”.

Por outro lado, António Brás Costa preferiu dirigir o seu olhar para o que aí vem. Na sua perspetiva, será necessário pensar o longo prazo para que equívocos passados não se repitam: “Na crise anterior, um dos erros que se cometeu foi o de pôr pensos rápidos em vez de se criarem infraestruturas para atacar o futuro. A situação que vivemos agora vai resolver-se pela aposta no futuro e não apenas a tapar as feridas do presente”.