Fim dos vistos gold pode afetar a economia nacional

Programa tem sido fonte de atração de investimento estrangeiro avultado

A possibilidade dos vistos gold virem a terminar, tanto no Porto como em Lisboa, é vista com bastante ceticismo pelos responsáveis ligados aos ramos do imobiliário e da construção. Manuel Reis Campos manifestou exatamente este pensamento: “Não faz nenhum sentido que um programa que existe em imensos sítios da Europa acabe. O país não se pode dar a esse luxo, e acabar com os vistos gold em Lisboa, no Porto ou no Algarve é a mesma coisa que acabar com os vistos gold”. Na mesma linha, Nuno Pargana sublinhou os efeitos, para si, prejudiciais que pode acarretar o cancelamento dos vistos gold. “Tudo o que forem limitações ao investimento estrangeiro em Portugal, vai desacelerar o setor da construção e, portanto, diminuir também a procura de crédito”. Hugo Santos Ferreira foi também perentório sobre isto e adiantou inclusive números que, na sua ótica, sustentam a importância destes vistos: “Nós precisamos de captar investimento estrangeiro e a verdade é que este programa tem sido daqueles que mais investimento tem conseguido atrair para Portugal. À volta de 5 mil milhões de euros tem sido o investimento externo que a iniciativa dos vistos gold tem ajudado a trazer. Só no ano de 2019, o programa conseguiu atrair 700 milhões de euros à economia nacional e mesmo em 2020 ainda conseguiu trazer 500 milhões. Isto tudo só em investimentos diretos, imagine-se os indiretos”. O vice-presidente da APPII foi mais longe e garantiu que “seria completamente ilógico e desprovido de qualquer fundamento racional terminar com este programa”, afirmando até que “só por razões meramente ideológicas se podria acabar com ele”. Perspetiva algo diferente sobre esta matéria deixou Abel Mascarenhas. O presidente da Comissão Diretiva do EFFRU 2020 preferiu não assumir uma posição crítica ou favorável em relação à continuidade da iniciativa dos vistos gold, mas vincou a necessidade de uma readaptação da esfera imobiliária às novas exigências ambientais: “Há uma mudança de paradigma que está acontecer e, se ainda não estamos alinhados, teremos de nos alinhar rapidamente. Os financiamentos que não sejam verdes vão tornar-se obsoletos. Em 2050, a Europa será o primeiro continente a atingir a neutralidade carbónica e tudo o que sejam investimentos têm de contribuir para essa neutralidade”.