Exportações caminham para a normalidade

Exportações caminham para a normalidade

Recuperação é visível apesar de haver ainda alguma incerteza, nomeadamente no turismo

Duarte Pernes

Após um 2020 fatídico, com quebras expressivas nas vendas para o exterior, as exportações nacionais parecem, no geral, dar passos firmes rumo à normalidade. Mas há interrogações que subsistem. Uma das principais é: quando atingirá o país o patamar em que estava antes da chegada da covid-19? A última conferência desta segunda edição do programa Retomar Portugal, organizado por BPI, JN e TSF, a realizar amanhã, procurará dar resposta a esta e a outras questões.

Segundo Miguel Coelho, economista e professor universitário, “nos primeiros sete meses de 2021, foi conseguido um volume de exportações de bens superior ao de 2019”. Portanto, conforme o próprio acrescenta, “pode dizer-se que retomamos um pouco o ritmo normal”. Significa isto que, para o economista, a manter-se a atual trajetória ascendente, “em 2022 teremos o cenário normalizado” em termos de comércio internacional.

Também Pedro Braz Teixeira, diretor do gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade, reconhece o quadro global de melhoria, em particular na vertente dos bens, mas mostra-se cauteloso em relação a uma recuperação total para breve. “Está tudo muito dependente do que vai acontecer nas exportações de serviços, sobre as quais ainda há demasiada incerteza a dois níveis: a evolução da pandemia e como será a recuperação do turismo de negócios”, explica Braz Teixeira.

Adicionalmente, existem outros fatores que podem prejudicar os negócios lusos além-fronteiras. Pedro Braz Teixeira chama a atenção, por exemplo, para as repercussões do agravamento do custo da energia. “As empresas portuguesas estão a sofrer com este aumento, e isso é um problema adicional para um tecido empresarial que já estava afetado por um ano de pandemia”, nota o responsável do Fórum. Miguel Coelho, por seu turno, foca “os desafios ambientais” existentes, que podem, do seu ponto de vista, “ter implicações na indústria exportadora mais cedo ou mais tarde”.

Sobre a estratégia delineada pelo Governo para a política de exportação no futuro, Pedro Braz Teixeira manifesta uma visão crítica em relação à sua possível consecução: “Tenho ideia de que se estabelecem objetivos com alguma ambição, mas depois não há instrumentos e não é feito o trabalho de casa para os alcançar”, afirma.
Miguel Coelho deixa uma nota positiva em relação à postura da esfera empresarial, numa época atribulada: “As empresas adaptaram-se rapidamente a uma nova realidade e muitos empresários perceberam que tinham de mudar de atitude”, salienta o economista.

Primeiros sete meses de 2021 já deram sinais positivos

NO DIA 11, ÀS 10 HORAS, SIGA A CONFERÊNCIA EM JN.PT, TSF.PT OU NO LINKEDIN DO BPI.