Estrada Nacional 2 entra na rota do crescimento

Segurança e isolamento dos lugares abrangidos pela via têm atraído os viajantes.

Numa altura em que, de uma maneira geral, as pessoas estão mais renitentes a fazer viagens de longo curso e procuram lugares mais isolados e tranquilos, os municípios que compõem a rota da EN2 têm tentado aproveitar para captar as atenções dos turistas. “A rota da EN2 tem uma oferta diferente, dirigida a um turismo que não é de massas e sim de proximidade. Num ano difícil como este, as pessoas perceberam que, afinal, há ofertas diferentes para além do sol e mar e das grandes cidades, como o Porto e Lisboa”, referiu Luís Machado. Também Lídia Monteiro, do Turismo de Portugal, fez questão de exaltar o potencial existente na EN2 cujo percurso vai de Chaves até Faro: “Este foi, sem dúvida, um exemplo muito interessante que tivemos este ano, já que rasga o país de norte a sul. Isso constitui, naturalmente, um atrativo para todo o tipo de públicos, seja para os mais ou menos jovens ou para os que viajam sozinhos ou em família”. De igual modo, João Patrício, do BPI, não poupou nos elogios ao projeto em torno desta via, referindo mesmo que “se trata de uma das maiores obras de coesão territorial, em Portugal, neste momento”. Apesar de todos estes progressos prometedores e mesmo sendo o turismo uma ferramenta crucial, Luís Machado considera que ainda existem problemas graves de outra natureza que precisam de ser resolvidos. Por este motivo, o presidente da Associação de Municípios da Rota da EN2 pede mais apoios ao Governo: “A raiz deste projeto é socioeconómica, visa fixar os cidadãos e permitir, com as visitas, criar riqueza e atrair investimento para manter as empresas. A nossa dificuldade é manter as pessoas aqui. Uma medida interessante para isso era que todo o negócio digital comparticipado pelo Estado viesse para o nosso território. Queremos mostrar as nossas capacidades”. Por outro lado, Luís Castanheira Lopes, do Grupo Pestana, apesar de reconhecer as benesses que foram retiradas desta estrada, avisa que tal não basta para repor os níveis de sustentabilidade do turismo: “A rota da EN2 é o produto certo para a época de pandemia que ainda atravessamos porque os turistas procuraram destinos em que quase não havia covid. Porém, não nos podemos iludir com isso porque o conjunto da atividade turística de Portugal vai muito para além desta realidade e a verdade é que a hotelaria das cidades esteve, globalmente, inativa”