Educação reinventou-se durante a pandemia

Educação reinventou-se durante a pandemia

Uma das áreas que, desde 2020, devido à pandemia, registou mudanças profundas na sua normalidade foi a da educação. Os confinamentos obrigaram à adoção de um regime de aulas à distância e a uma adaptação abrupta de alunos, professores e pais a um sistema muito diferente, assente em dispositivos tecnológicos. Serão exatamente os múltiplos ângulos de análise sobre o ensino em tempos pandémicos e o seu futuro a marcar, na próxima quarta-feira (dia 23), mais uma conferência do programa Retomar Portugal, uma iniciativa do BPI em conjunto com o Jornal de Notícias e a TSF.

Ana Maria Bettencourt, professora na Escola Superior de Educação (ESE) de Setúbal, considera que os problemas verificados da primeira vez em que as escolas fecharam foram sendo mitigados. Ao mesmo tempo, esta docente dá um parecer globalmente positivo ao plano de recuperação de aprendizagens gizado pelo Governo que, no seu entender, “embora seja disperso e lhe falte um cariz mais orientador, aponta uma série de problemas e indica várias soluções para eles”.

Em relação ao ensino superior, Ivo Domingues, sociólogo da educação e professor na Universidade do Minho, refere que “houve igualmente um período de suspensão e adaptação”. Porém, o académico realça que as universidades conseguiram, “com relativa rapidez, disponibilizar cursos para a exploração de ferramentas pedagógicas, suportadas em ações de formação online ou webinars”, algo que, garante o próprio, não ocorreu no ensino secundário.

Sobre como será o ensino a seguir à covid-19, Ana Maria Bettencourt acredita que as aulas continuarão a ser predominantemente presenciais, mas considera também que determinadas coisas vieram para ficar. “Algo que se vai manter é o facto de as pessoas terem percebido que se pode aprender em vários sítios, não só na escola. Também ao nível do digital, há coisas que vieram para ficar, mas só isso não vai mudar o trabalho na escola. Para tal, é necessária uma mudança pedagógica”, defendeu a professora da ESE.

Ivo Domingues, por seu turno, diz “não estar claro que em todos os cursos e disciplinas seja necessário o ensino presencial”. O professor universitário admite ainda modificações visíveis nas avaliações onde, segundo conta, “há professores que já dizem que não voltarão a fazer testes de avaliação em papel porque descobriram que fazer um teste digital dá muito menos trabalho a avaliar”. Portanto, conclui, “a incorporação das tecnologias pela maior parte dos professores está assegurada, a menos que faltem recursos”

Factos & números

38% dos homens que completaram o ensino superior, em Portugal, ganham mais do que as mulheres com a mesma qualificação, garante relatório sobre o “Estado da Nação”.

1.500 crianças não vão à escola desde a chegada da covid-19, em março de 2020, por motivos de saúde e pelo receio dos pais de que os seus filhos possam contrair o vírus.

Problema global

Nove em cada dez crianças e jovens, a nível mundial, viram a sua educação ser prejudicada pela pandemia, segundo informações da Human Rights Watch, uma ONG.

Saúde mental

Também os alunos do ensino superior nacional foram afetados pela pandemia. Uma boa parte (53% dos inquiridos num estudo) manifestou indícios de problemas mentais graves.

Cursos profissionais

Cada vez mais pessoas, em Portugal, optam pelo ensino profissional. Ao todo, 36% dos alunos seguem esta via, que possibilita uma chegada mais rápida ao mercado laboral.
900 milhões de euros serão alocados ao plano de recuperação de aprendizagens, que procura que os alunos recuperem o tempo de estudo perdido e que contará com 330 docentes.

Ensino secundário

Quase metade dos portugueses (47,8%) não concluiu o ensino secundário. Portugal é, de resto, o país da União Europeia cuja população apresenta maior défice de qualificações.

CURIOSIDADE

Os confinamentos aceleraram a digitalização da educação. De tal forma que, em 2026, o mercado de e-learning deverá atingir uma avaliação de 309 mil milhões de euros, quando em 2019 era de cerca 83 mil milhões.