Desertificação gera escassez de profissionais

Douro carece de incentivos à fixação de trabalhadores qualificados

ÊXODO Um dos grandes problemas que a Região Demarcada do Douro vem enfrentando nos últimos tempos tem a ver com uma perda demográfica assinalável. Esta realidade revela-se, naturalmente, prejudicial para o seu desenvolvimento económico e social. Miguel Ribeiro assinalou essa realidade com alguns dados concelhios que são elucidativos: “Entre 1970 e 2011, o Peso da Régua perdeu 25% da população, São João da Pesqueira perdeu 22% e Freixo de Espada à Cinta perdeu 37%. Ou seja, temos um problema sério de fixação das populações no Douro”. Perante aquele panorama, o diretor-coordenador do BPI defendeu que “são precisas pessoas que sejam qualificadas e que fixem rendimento na região. Quando se fala de políticas de coesão nacional, é necessário arranjar estratégias para contrariar este êxodo”. Preocupação idêntica à de Miguel Ribeiro foi manifestada por Fontainhas Fernandes: “Um dos grandes problemas do Douro é o seu esvaziamento demográfico porque está a perder população. Isto é um problema de todo o Interior Norte e que é preciso pôr em cima da mesa porque sem pessoas, não haverá turismo, não haverá vinho e não haverá território”. Ainda segundo o reitor da UTAD, “o grande investimento que tem de ser feito é no conhecimento. É preciso fixar os enólogos que estão no Douro e apostar nas indústrias criativas e em empresas tecnológicas. Quando olhamos para o mundo da agricultura inteligente ou dos drones, verificamos que são precisos novos técnicos para trabalhar e produzir estes novos instrumentos”. Nicolau de Almeida partilhou também a ideia de uma desertificação evidente na população e referiu que isso assume, igualmente, implicações no funcionamento das empresas: “Precisamos de jovens para aguentar isto. Na minha quinta, que é pequena, para arranjar alguém qualificado estou três meses à procura. O investimento em inovação e conhecimento, que acontece noutros setores, não está acontecer na agricultura”. Por tudo isto, Miguel Ribeiro reiterou a ideia de que é imperioso trazer para o Douro profissionais que sejam especializados e que correspondam às exigências tecnológicas: “Uma das maiores queixas que ouvíamos junto dos empresários, antes da chegada da covid-19, era a falta de mão-de-obra qualificada, só que isto só se consegue atraindo pessoas e criando condições para que elas permaneçam lá”.