Custo da energia elétrica prejudica retoma das exportações

Custo da energia elétrica prejudica retoma das exportações

Ministro da Economia diz que as empresas nacionais suportam maiores custos do que a concorrência e defende “redução estrutural” dos preços

Duarte Pernes

Os altos custos da energia elétrica podem ser uma desvantagem competitiva na recuperação que as empresas portuguesas exportadoras já começam a ter em diversos setores. O reconhecimento desta realidade foi feito, precisamente, por Pedro Siza Vieira, ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, que participou, ontem, na última conferência da segunda edição do Retomar Portugal, uma iniciativa da responsabilidade do BPI, Jornal de Notícias e TSF.

“Temos de ter outro tipo de aproximação aos custos da energia elétrica em Portugal, este é um tema crítico”, afirmou o ministro. Para Pedro Siza Vieira, “estamos a sofrer vários aumentos de custos de matérias-primas e componentes que estão a afetar toda a atividade económica”, mas que, do seu ponto de vista, prejudica o tecido empresarial em termos globais e não apenas a fileira nacional. Aquilo que, segundo o ministro da Economia, merece maior ênfase é o facto “de termos um problema estrutural, que é o de existir um custo de energia elétrica para os nossos produtores industriais superior ao dos nossos congéneres europeus”. Por este motivo, garantiu Siza Vieira, “o esforço deve ir no sentido de reduzir, estruturalmente, este valor a médio prazo”.

Competitividade

Também dentro desta linha, António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), assume que o cenário atual de despesas avultadas por parte das empresas lusas na questão energética é delicado. “Os custos energéticos têm-nos preocupado. A manutenção deste quadro é insustentável porque os valores não são iguais para todos e isso, obviamente, traz-nos algumas ameaças em termos de competitividade”, sustentou o máximo responsável da CIP. António Saraiva defendeu assim uma redução de “custos de contexto” como este e declarou mesmo que “estas são preocupações acrescidas para a retoma que todos desejaríamos”.

Já João Pedro Azevedo, CEO da Amorim Cork Composites, recorreu ao caso particular da empresa da qual é responsável para chamar a atenção para outras dificuldades vividas pelos empresários e que, na sua ótica, estão ligadas aos preços elevados noutros campos. “Nas nossas operações, não tivemos nenhum momento de disrupção por falta de matéria-prima ou de transportes; tivemos foi uma pressão enorme do lado dos custos das matérias (como borrachas ou materiais de embalamento) e dos transportes, sobretudo o marítimo intercontinental. Isto foi uma constante ao longo de 2021”, explicou o CEO.

A terminar, Luís Carlos Alves, diretor-executivo do BPI, disse que “a generalidade dos bancos em Portugal se fortaleceu muito” e que, portanto, “estão em condições de apoiar as empresas nos mercados externos e na procura de novos mercados”.