Cultura devastada pelo tsunami pandémico

Cultura devastada pelo tsunami pandémico

Cultura devastada pelo tsunami pandémico

A cultura tem sido um dos setores mais castigados pelas medidas de contenção da pandemia. Dos museus aos teatros, passando pelos festivais de música no verão e até pelo comércio de livros, poucas são as atividades deste ramo que não atravessam dificuldades. Por isso, este será o primeiro tema a ser destacado no Programa Retomar Portugal, organizado por BPI, Jornal de Notícias e TSF, numa conferência que terá Graça Fonseca, Ministra da Cultura, como uma das participantes e que irá decorrer na próxima quarta-feira.

Pedro Abrunhosa, conhecido cantor e compositor, afirma mesmo que, na cultura, existe “muita gente em situação de debilidade financeira e até de alguma indignidade na forma como está a viver”. O cantor dá como exemplo de precariedade a situação das pessoas a trabalhar na área técnica que, segundo o próprio refere, “uma vez que não há espetáculos, estiveram quase um ano rigorosamente paradas, e representam uma massa humana que vive em dificuldades”. Retrato igualmente negativo traça Manuel J. Damásio, diretor do Departamento de Cinema e Artes dos Media da Universidade Lusófona. “O impacto da pandemia na cultura tem sido violentíssimo e ainda não é possível perceber quais serão as consequências de toda esta crise”, explicou.

Sobre a fatia de 0,21% dedicada à esfera cultural no Orçamento do Estado de 2021, Pedro Abrunhosa considera ficar muito aquém do necessário e aponta a outras medidas. “É um valor ridículo. Defendo uma orçamentação superior a 1% e uma tributação, na Europa, na base dos 3% dos lucros de plataformas como a Google, a Amazon, o Facebook ou a Apple”. Também Manuel J. Damásio afirma que os recursos atuais “são escassos”. Olhando para o que foi definido, neste âmbito, no Plano de Recuperação e Resiliência, o professor universitário sustenta que “era possível fazer muito mais” e espera que a cultura “seja considerada como um setor fundamental na dinamização da economia”.

Em relação ao futuro, tanto Pedro Abrunhosa como Manuel J. Damásio confiam que um cenário pós-pandémico trará de volta uma ávida vontade dos consumidores culturais de regressar ao normal. “Quero acreditar que é possível haver um fenómeno do tipo ‘loucos anos 20’. Os atores culturais devem posicionar-se como um dos eixos fundamentais do regresso à normalidade”, defendeu Manuel J. Damásio. “A cultura distingue o homem da besta e não é uma pandemia que a vai derrotar. Há hábitos que vão mudar, mas ainda bem porque voltar ao passado nunca foi solução”, comentou o cantor.

NO DIA 9, ÀS 10 HORAS, SIGA A CONFERÊNCIA EM JN.PT, TSF.PT OU NO LINKEDIN DO BPI.