Crise atingiu Douro e nem os vinhos ficaram imunes

Novo coronavírus afetou duramente turismo, que era florescente, e toda a produção vinícola regional

Os negócios na Região do Douro não passaram incólumes pela pandemia, nem pela crise económica e social que ela desencadeou. Entre eles está a agroindústria e, em especial, o vinho. Mas não só do comércio vinícola vive a economia desta região. A nova realidade do Douro e do Vinho do Porto será precisamente o tema sob o qual irá incidir, na próxima quinta-feira, o foco da segunda conferência do Retomar Portugal, uma iniciativa do banco BPI, JN e TSF, com o apoio da tecnológica Sage.

Várias Culturas

A Região Demarcada do Douro abrange um espaço de 250 mil hectares. É neles que se concentra parte do trabalho desenvolvido, a nível nacional, em culturas como a do amendoal, do olival e sobretudo das vinhas, que ocupam 45 mil hectares. Com a covid-19, Carlos Brito, presidente do Observatório dos Vinhos do Porto, a venda de vinho pode ser vista por dois prismas: “As empresas que vendiam, sobretudo, para restaurantes, cafés e eventos sentiram uma quebra; por outro lado, aquelas que se posicionavam nos grandes canais de distribuição, até viram as suas transações aumentar”. Certo é que, no geral, se assistiu a um decréscimo dos negócios vinícolas que só os mercados externos conseguiram, a certa altura, mitigar. Gilberto Igrejas, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), deu conta disso mesmo: “Em relação ao período homólogo de 2019 estamos com uma quebra a rondar os 13%. Estas perdas são mais acentuadas no mercado nacional. Ao nível das exportações houve, inicialmente, uma diminuição, mas isso foi-se diluindo”. Tendo em vista a preparação do setor para o futuro, Gilberto Igrejas fez ainda questão de destacar um projeto recente, desenvolvido pelo IVDP. A ideia passa por otimizar a comercialização de vinho, através de um sistema assente na inteligência artificial: “Acreditamos que, com isto, consigamos fazer mais e melhor pela região”, acrescentou. Muito por causa da forte tradição vinhateira, o turismo tornou-se noutro grande filão económico do Douro. Aqui, o impacto do coronavírus fez-se sentir também com intensidade. “O turismo externo conheceu uma quebra enorme e há segmentos da oferta, nomeadamente a nível de cruzeiros, em que houve diminuição da procura”, explicou Carlos Brito. Em contraciclo esteve, segundo o presidente do Observatório de Vinhos do Porto, o mercado nacional, pelo facto de os portugueses procurarem lugares mais tranquilos, como o Douro, o que ajudou a atenuar alguns prejuízos.