Aumento salarial pode servir para reter talento

Aumento salarial pode servir para reter talento

Siza Vieira defende que as empresas têm de “subir rendimentos aos mais jovens”

Um dos pontos mais debatidos a respeito da realidade social e económica portuguesa tem a ver com a falta de mão de obra qualificada e com a incapacidade do país em reter os talentos mais jovens no seu território. Na opinião de Pedro Siza Vieira, ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, o investimento em programas de qualificação e o aumento salarial seriam já boas medidas para contrariar esta tendência.

“É crítico que haja recursos humanos em quantidade e em qualidade. Nós vamos continuar a investir na formação e é importante que as empresas sejam capazes de perceber que ou fazem um esforço de subir os rendimentos aos mais novos, ou então eles vão para as empresas estrangeiras que se aproveitam dos nossos talentos”, sustentou o ministro, durante a conferência de ontem do Retomar Portugal.

Paralelamente, Siza Vieira destacou ainda algumas das ações levadas a cabo pelo Governo. Entre elas está o IRS Jovem que, explicou o ministro da Economia, “consiste em isentar de tributação uma parte do rendimento dos jovens que entram no primeiro emprego, depois de completarem os ciclos de estudo entre o secundário e o pós-secundário”.

Por outro lado, António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), concordou que o aumento de salários é um fator de incentivo à retenção de jovens talentos, mas considerou não ser esse o único ponto essencial. “A questão salarial é importante, sem dúvida, mas há também a conciliação do trabalho com a família, ou se os projetos são desafiantes ou não. Há, hoje, um conjunto diferente de inputs que os jovens querem sentir”, referiu o responsável da CIP.

Sobre o aumento do salário mínimo nacional, anunciado para 2022, António Saraiva disse não se opor, mas avisou que tal deve ser feito “de forma gradual e sustentável”. Aquilo que a CIP desaprova, nas palavras do seu presidente, é “a irracionalidade de legislar aumentos de salários por decreto”.

João Pedro Azevedo, CEO da Amorim Cork Composites, acompanhou António Saraiva no que se refere à importância de não reduzir à subida de vencimentos toda a discussão sobre as políticas de manutenção dos jovens. “A questão da remuneração é importante, mas temos de entrar noutras dimensões. O tema é muito mais complexo do que só os salários”, assegurou o CEO desta empresa.